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sábado, 22 de outubro de 2011

INSS: Questões Comentadas

           Meus amigos, foi oficialmente autorizada a realização do concurso para Técnico e Perito do INSS. Sendo assim, com vistas a ajudá-los em sua preparação, compartilho três questões exigidas em certames organizados pela banca CESPE/UnB (a provável organizadora do próximo concurso). Vamos lá!


Texto 1

Da Tomada para a Estrada

1 Dois modelos de veículo de uma montadora italiana,
2 movidos a energia elétrica, já estão prontos para rodar.
3 Os protótipos foram desenvolvidos no Brasil pela empresa
4 Itaipu Binacional, com o objetivo de nacionalizar a
5 tecnologia de produção de carros elétricos. Basta colocá-los
6 na tomada por um período de oito horas para que eles
7 estejam aptos a rodar aproximadamente 120 km.
8 Os deslocamentos podem ser velozes, já que os veículos
9 conseguem atingir uma velocidade de até 130 km por hora.
10 O detalhe mais animador é que, para isso, se gasta de quatro
11 a cinco vezes menos do que se forem utilizados combustíveis
12 convencionais, como o álcool ou a gasolina.
13 O motorista que experimentar dirigir os protótipos
14 não deverá estranhá-los. “É muito simples guiá-los, pois as
15 diferenças em relação aos carros tradicionais são mínimas”,
16 explica o engenheiro eletricista Celso Novais, coordenador
17 geral brasileiro do projeto Veículo Elétrico. “A principal
18 distinção é que não existe partida. O veículo liga como se
19 fosse acionado por um interruptor.” Segundo Novais, quando
20 está parado — em um congestionamento, por exemplo —, o
21 veículo não consome energia. “A bateria que o alimenta
22 é totalmente reciclável e pode ser recarregada cerca de
23 1.500 vezes.”
24 O coordenador do projeto destaca o aspecto
25 econômico como uma das grandes vantagens do carro
26 elétrico, ao compará-lo com um veículo movido a gasolina.
27 “Com um litro do combustível, é possível percorrer 15 km
28 em média. No entanto, se o mesmo valor gasto com essa
29 quantidade de gasolina for empregado na compra de energia
30 elétrica, é possível rodar cerca de 40 km.” Além de enfatizar
31 as vantagens econômicas, Novais salienta os incontestáveis
32 benefícios ambientais. “O carro elétrico não faz barulho nem
33 polui a atmosfera, já que não emite gás carbônico ou
34 qualquer outra substância química.”

Jaqueline Bartzen.Ciência Hoje. Internet: <cienciahoje.uol.com.br> (com adaptações).

Considerando o texto acima, julgue o item a seguir.

I. Sem prejuízo para a correção gramatical, o título da reportagem poderia ser Da tomada à estrada.

Comentário: No estudo do acento grave indicativo de crase, é fundamental o conhecimento do paralelismo sintático, definido como a simetria de estrutura. Por exemplo, em “De segunda a sexta”, temos uma estrutura paralelística, pois, como empregamos apenas a preposição “de” antes de “segunda”, foi empregada somente a preposição “a” antes de “sexta”.
Por outro lado, poderíamos ter a construção “Da segunda à sexta.”, havendo também uma estrutura paralelística, já que, antes de “segunda”, empregamos a preposição “de” e o artigo definido “a” e, por consequência, para manter a simetria, a preposição “a” e o artigo definido “a” antes de “sexta”. Por essa razão, houve o emprego do acento grave indicativo de crase.
O mesmo caso ocorreria se o título do texto fosse composto pela estrutura “Da tomada à estrada.”, uma vez que essa expressão é formada pela preposição “de” acrescida do artigo definido “a”, antes de “tomada”, e pela preposição “a” acrescida do artigo definido “a”, antes de “estrada”. Sendo assim, o emprego do acento grave não implicaria prejuízo à correção gramatical do título.

Gabarito: Certo.


Texto 2

Quase todo mundo conhece os riscos de se ter os documentos usados de forma indevida por outra pessoa, depois de tê-los perdido ou de ter sido vítima de assalto. Mas um sistema que começou a ser implantado na Bahia pode resolver o problema em todo o país. A tecnologia usada atualmente para a emissão de carteiras de identidade na Bahia pode evitar esse tipo de transtorno. A foto digital, impressa no documento, dificulta adulterações.
A principal novidade do sistema é o envio imediato das impressões digitais, por computador, para o banco de dados da Polícia Federal em Brasília. Dessa forma, elas podem ser comparadas com as de outros brasileiros e estrangeiros cadastrados. Se tudo estiver em ordem, o documento é entregue em cinco dias. Ao ser retirada a carteira, as digitais são conferidas novamente. “Você pode até ter a certidão de nascimento de outra pessoa, mas, quando tentar tirar a carteira por ela, a comparação das impressões digitais vai revelar quem é você”, diz a diretora do Instituto de Identificação da Bahia.
Na Bahia, a troca pelo modelo novo será feita aos poucos. As atuais carteiras de identidade vão continuar valendo e serão substituídas quando houver necessidade de emitir-se a segunda via. Por enquanto, só a Bahia está enviando os dados para a Polícia Federal. Segundo o Ministério da Justiça, a partir de 2011, outros estados devem integrar-se gradativamente ao sistema. A previsão é que, em nove anos, todos os brasileiros estejam cadastrados em uma base de dados unificada na Polícia Federal.

Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Na linha 17, o emprego da preposição "a" na combinação “ao” é exigência sintática do verbo “integrar”.

Comentário: No contexto, a forma verbal “integrar-se” é transitiva indireta, regendo preposição “a”, a qual deverá iniciar, obrigatoriamente, a estrutura de seu complemento indireto “ao sistema”. Nesse caso, houve a combinação da preposição “a” com o artigo definido “o”.


Gabarito: Certo.


Texto 3

         Um dos problemas mais significativos da democracia representativa brasileira, preexistente à Constituição de 1988, mas mantido por ela, é a distorção da representação das unidades federadas na Câmara dos Deputados. Trata-se de assunto cuja importância e mesmo centralidade não podem ser desprezadas: princípio basilar da democracia representativa é o voto de cada pessoa ter o mesmo peso eletivo. O atual sistema permite que o voto de um cidadão seja dezenas de vezes mais significativo, nas eleições para a Câmara, do que o voto de outro. Essa situação é incompatível com o aperfeiçoamento democrático de nosso regime político.
              A Constituição brasileira (art. 45, caput) determina que a representação dos estados na Câmara dos Deputados seja proporcional à população. Entretanto, a seguir, estabelece piso e teto dessa representação (oito e setenta deputados, respectivamente), que implicam a negação dessa proporcionalidade.
               Octaciano Nogueira, em trabalho a respeito do tema, parte da premissa de que essa distorção “não é obra do regime militar, que, na verdade, se utilizou desse expediente, como de inúmeros outros, para reforçar a Arena, durante o bipartidarismo; sua origem remonta à Constituinte de 1890, quando, por sinal, o problema foi exaustivamente debatido; a partir daí, incorporou-se à tradição de nosso direito constitucional legislado, em todas as subsequentes constituições; e o princípio, portanto, estabelecido durante as fases democráticas sob as quais viveu o País e mantido sempre que se restaurou o livre debate, subsequente aos regimes de exceção, foi invariavelmente preservado, como ocorreu em 1946 e 1988.”

Arlindo F. de Oliveira. Sobre a representação dos estados na Câmara dos Deputados. In: Textos para Discussão, n.º 5, abr./2004 (com adaptações).

Atendo-se à interpretação do texto, julgue o próximo item.

I. Os três sinais de ponto e vírgula empregados no terceiro parágrafo do texto poderiam ser substituídos, com correção, por ponto final, ajustando-se as iniciais maiúsculas nos novos períodos e suprimindo-se a conjunção “e” do segmento “e o princípio”.


Comentário: No terceiro parágrafo, temos argumentações do texto, as quais são compostas por orações coordenadas. Por serem independentes entre si, podem ser

dividas em períodos, isto é, podemos separá-las por ponto final, fazendo os ajustes nas letras iniciais para maiúsculas:

1º período: “Octaciano Nogueira, em trabalho a respeito do tema, parte da premissa de que essa distorção “não é obra do regime militar, que, na verdade, se utilizou desse expediente, como de inúmeros outros, para reforçar a Arena, durante o bipartidarismo.”

2º período: “Sua origem remonta à Constituinte de 1890, quando, por sinal, o problema foi exaustivamente debatido.”

3º período: “A partir daí, incorporou-se à tradição de nosso direito constitucional legislado, em todas as subsequentes constituições.”

Notem que, no quarto período, a presença da conjunção coordenativa conclusiva “portanto” nos permite retirar a conjunção coordenativa aditiva “e”, mantendo a correção:

4º período: “O princípio, portanto, estabelecido durante as fases democráticas sob as quais viveu o País e mantido sempre que se restaurou o livre debate, subsequente aos regimes de exceção, foi invariavelmente preservado, como ocorreu em 1946 e 1988.”

Gabarito: Certo. 


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Abraços e até lá! 

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